SeCS 2008 - A Vez e a Voz de quem?

Publié le par Fórum da Ocupação

O texto abaixo estava por todo o prédio de Ciências Sociais. É de autoria dos estudantes de Ciências Sociais insatisfeitos com o formato da Secs deste ano:

SeCS - A Vez e a Voz de quem?

 

Para qualquer discussão ou debate, reza o senso comum que o mais democrático é chamar todas as posições para falar. Anarquista, social-democrata, trotskista, monarquista, stalinista, democrata, fascista, nazista, maoísta, guevarista, chavista, autonomista, situacionista, reformista, burocrata, hippie, estudante, professor, funcionário. Esse democratismo é totalmente hipócrita, todos sabem que é impossível reproduzir em uma mesa todas as posições da sociedade, para construir um debate, portanto, escolhem-se arbitrariamente somente algumas posições. A questão de fundamental de um debate não é fingir a pluralidade de idéias, mas sim explicitar as posições que se quer pôr na mesa.

O primeiro debate que a gestão do Ceupes promoveu esse ano foi na calourada, aconteceu na última sala à direita do corredor do fundo do primeiro andar. A mesa era composta por um militante do Psol representando o Ceupes, uma militante do Psol representando o DCE, e ainda outro militante do Psol como ex-aluno, e só. Foi proposta abrir a mesa, e prontamente os organizadores se colocaram contra.


Na primeira reunião ampliada do ano, foi questionada uma suposta mesa "neutra" sobre a questão de gênero, esta contaria com a participação de professoras que estudam a questão, e com a Marcha Mundial de Mulheres. A Marcha Mundial de Mulheres é dirigida pela DS do PT, corrente da governadora do Pará, Ana Júlia Caprera, que foi conivente com a prisão de uma mulher em uma cela com cerca se 20 homens, onde foi estuprada sistematicamente; e conta também com a participação de Psol de Heloísa Helena, que mesmo contra seu próprio partido, faz parte, junto com a igreja, da campanha "Por um Brasil sem aborto". Foi proposto abrir a mesa para mais um mulher, da Conlutas, que no dia Internacional da Mulher fez um ato separado, se recusando a se juntar com a Marcha Mundial de Mulheres. O Ceupes e sua base se colocaram contra, alegando a cientifidade desse primeiro debate que corria por fora de questões política, seguindo claramente as trilhas de Max Weber em "Ciência e Política: duas vocações". Mas em qual dos dois atos Weber iria?


Na última assembléia geral da Usp o bizarro sistema de sorteio das falas nos colocou na seguinte situação, 12 falas para o Psol, 8 falas para o PSTU, 2 para independentes, 1 para a LER-QI e nenhuma para o MNN, nem para o PCO. Foi proposta outra forma de selecionar as falas, que foi manobrada pela mesa, e em seguida, rechaçada pela maioria da assembléia, que no momento era composta pela base dos grupos privilegiados com voz.


Agora vejamos para quem o Ceupes se dispõe a entregar, uma semana inteira de palestras, sobre nada mais nada menos que Maio de 68:

 

Leonel Itaussu de A. Mello, O Meritocrata: no final do ano retrasado, alunos insatisfeitos com a sua aula foram, junto ao Ceupes, questiona-lo e propor novos métodos didáticos para sua exposição. O professor escreveu em latim na lousa "O poder absoluto não se divide" e discorreu sobre todo seu mérito para dar aulas como bem entender, citando inclusive sua prisão no congresso de Ibiúna quando era presidente do DCE/USP em 68.

 

Bernardo Ricupero, O Fura-Greve: apesar de ter sido contratado por causa de uma greve que exigia mais professores para a FFLCH, o professor que irá falar de Revolução na Semana de Ciências Sociais do Ceupes, é categoricamente contra greves. Na greve do ano passado ele foi um dos dois professores que continuaram a dar aulas, e em todas estas demonizava os grevistas e ocupantes. Quando as aulas voltaram, foi aberto um debate sobre greve e ocupação, no qual Bernardo para justificar a legalidade e condenar qualquer forma de radicalidade, nos lembrou muito Edmund Burke (e também o movimento estudantil) sobre o "direito dos mortos governarem os vivos".

 

Gabriel Cohn, O da Laje: mas já foi também da jaula, da xérox, do anfiteatro, do porão. O número um da burocracia fflenta, o nosso diretor. A meta principal de sua gestão parece ser retirar os espaços estudantis. Pode ser porque é o local é insalubre, pode ser pra fazer um cafezinho, por ser inclusive dando melhores condições de trabalho para os funcionários da manutenção; mas independente da desculpa, o maior weberiano vivo do Brasil, sempre coloca estudante contra estudante, estudante contra trabalhador, trabalhador contra professor, e sempre consegue base para suas investidas. O Ceupes deste ano, se não é seu parceiro, é sem dúvida seu fantoche (vide acordão mais abaixo).

 

João Quartim de Moraes: stalinista do partidão (PCB) e complacente com toda a política traidora do PC Francês em maio de 1968.

 

Maria da Conceição Tavares: economista "desenvolvimentista" (com discípulos na Unicamp e UFRJ) passou os anos 70 e 80 como "ideóloga" do MDB-PMDB de Ulisses, Quércia, Tancredo, Itamar e Cia. Em 1986, no Plano Cruzado (do presidente Sarney), ficou famosa por ser sua mais férrea defensora, chegando a chorar na TV. Depois bandeou para o PT, partido pelo qual foi deputada federal de 1995 a 1999.

 

Maria Aparecida de Aquino: professora da USP, intelectual orgânica do petismo, defensora de Lula por sua "ótima política de relações internacionais", apesar "do resto".

 

Theotonio dos Santos: professor da UFF (foi da UFMG). Ideólogo orgânico do petismo e defensor inveterado de Lula. Acabou de polemizar com a Veja, que criticava Lula, dizendo: "meu querido presidente: ponha atenção nesses argumentos que temos desenvolvido em nossos livros e em nossos artigos faz muitos anos. Você tem nesse momento uma equipe excelente de assessores encarregados de propor um plano de crescimento para o país".

 

Alípio Freire: ex-guerrilheiro nos 60, hoje faz parte do PT fazendo críticas apenas ao Campo Majoritário do PT, mas não ao petismo ou a Lula.

 

Eva Blay: Senadora do PSDB, por São Paulo, de 1992 a 1995.

Publié dans Movimento Estudantil

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