SECS: UMA ARQUEOLOGIA DE 68

Publié le par Fórum da Ocupação

O texto abaixo estava por todo o prédio de Ciências Sociais. É de autoria dos estudantes de Ciências Sociais insatisfeitos com o formato da Secs deste ano:

SECS: UMA ARQUEOLOGIA DE 68

 

Em maio de 1968, estudantes franceses discutiram a necessidade de se mandar armas ou professores  para a Argélia. Escolheram as armas. Hoje, maio de 2008, a ascensão dos operários apoiada pelo movimento estudantil há 40 anos na Europa, é “ensinada” em salas de aula por intelectuais proeminentes, como o sacrossanto weberiano diretor da FFLCH Gabriel Cohn (sim, o da laje!). Tais manifestações hipócritas não se sustentaram em 68.  As atividades em universidades francesas foram completamente paralisadas, com   extensas ocupações. A greve geral foi construída por milhões de operários, com ocupações de fábrica em larga escala. Nem mesmo o “bastião” da dialética, conhecido pelego histórico e prezadíssimo de Cohn, Theodor Adorno conseguiu dar aula no Frankfurt Institute, embora tenha chamado a força policial.

 

Hoje, a SECS não se presta nem à paródia da época. Ao contrário de agitar o movimento estudantil, a semana se presta apenas a discutir abstratamente o levante de 68, como uma questão finalizada. Os convidados ilustres nas mesas de palestra mostram por si só o conteúdo degenerado da discussão. E mais: quem tanto se esforçou para bloquear um ascenso dos estudantes a partir da ocupação de 2007, quem sucessivamente votou contra a chamada de uma estatuinte àquela época, quem defendeu a desocupação da reitoria da USP sem qualquer garantia de não punição aos estudantes – o mínimo! - enfim, quem sempre se coloca contra o movimento real dos estudantes, o que poderiam dizer a respeito de maio de 68? Tanto o CEUPES como os excelentíssimos convidados se esforçam para tratar maio de 68 como morto, como assunto para museu, assim como tratam tudo que represente uma ameça à ordem!

 

Na Sorbonne de 68, estudantes impuseram suas palavras de ordem:

 

“Professores, vocês estão tão velhos quanto a sua cultura, seu modernismo não é mais do que a modernização da polícia. A cultura está em migalhas.”

 

40 anos depois, aqui estamos, ouvindo a palestras de professores policiais, diretores de projetos falidos, burocratas incuráveis. Se elas fossem sobre o “Estado Republicano”, talvez (e só talvez) estivéssemos menos inconformados. Mas ver o mesmo gênero de burocratas que, a exemplo de Adorno no passado, posicionaram-se completamente contra as manifestações estudantis de 2007, discursando hipocritamente sobre 68, não nos é suportável. Ainda precisamos ouvir o que aquele que tomou o espaço estudantil com uma laje pensa sobre a juventude radical? Além de espaços estudantis ameaçados, a repressão continua e as sindicâncias contra os ocupantes da reitoria se mantêm. A “vanguarda” de tais processos nos “ensina” maio de 68?! Abaixo a hipocrisia da SECS! Abaixo o assassinato de 68! É necessário dinamite!

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