Grande (?) imprensa distorce fatos sobre a desocupação da Unifesp

Publié le par Fórum da Ocupação

Os estudantes querem participação política seja porque sabem ser um direito ou pela indignação com os gestores universitários e do ensino de forma geral. Estes vem fazendo da coisa pública o que fazem na privada. Estas são as razões fundamentais para a recente tentativa do ME da Unifesp haver ocupado a Reitoria na noite de sexta-feira última. Os desfecho desta ação se deu no mesmo dia com o reitor da Unifesp, Ulisses Fagundes Neto – envolvido em denúncias de gastos irregulares com cartões corporativos e não prestação das contas da Universidade –, chamando da Polícia Militar para desocupar o prédio.

A ação da PM paulista deu-se sob o marco da violência e da mentira. Sem nenhuma mediação invadiram o prédio da reitoria, apesar dos estudantes não haverem oferecido resistência, espacaram-nos arbitrariamente, além do uso desnecessário de gás de pimenta. Evidentemente isso provocou pânico e consequente danos materiais no interior da reitoria. Estudantes que gravavam e fotografavam a agressão, dentro e fora do prédio e participando ou não da ocupação, tiveram celulares e máquinas tamados, devolvidos depois com todas as imagens apagadas. Posteriormente foram levados a um distrito policial, onde foram fichados e permaneceram toda a noite, sendo liberados no dia seguinte.

Tanto quanto a ação da polícia de São Paulo é sempre violenta quando estão envolvidos  movimentos sociais, igualmente a grande (?) imprensa é hipócrita e tendenciosa. Sob o manto de uma falsa imparcialidade, descontextualizam fatos, omitem informações, quando não mentem pura e simplismente, tal é o baixissímo nível que chegou os meios de comunicação. Assim não é de surpreender que a notícia da tentativa de ocupação da Reitoria da Unifesp tenha sido tratada como um caso de polícia. Em quase nenhum veículo foi apresentada a versão dos estudantes, sequer tentaram apurar a denúncia de que os danos materiais foram muito em consequência do tumulto com a entrada violenta da PM, e que as imagens oferecidas ao público não condizem com o estado em que reitoria estava quando os estudantes de lá saíram. Basicamente limitaram-se a ouvir a versão da polícia e dos gestores da Unifesp, nenhuma linha se leu sobre a apreensão de celulares e equipamentos digitais usados para registrar a ação da polícia, sobre a violência e espancamento.

Enfim, nada de novo; nada vai mudar de imediato neste ambiente de falsidades e barbárie,  mas seguimos denunciando, não abdicamos de criticar  e lutar, de ter esperança num mundo que não esteja apenas sob o signo da reprodução da capital. 

Publié dans Movimento Estudantil

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