Racha na gestão do DCE da USP

Publié le par Fórum da Ocupação

É... quando a multidão grita, dizem que sapo de fora não chia e quem está na lagoa zomba.

Então agora vejamos o que irão dizer, com sapo de dentro a denunciar aquilo que eles fingem não fazer.

Entre pulos e coachar, o DCE há muitos anos não é "uma entidade central para a organização do movimento estudantil". Na figura de sua gestão, o que fez ano após ano foi vestir a carapuça de que só age naquilo que lhe é de interesse privado.

Abaixo, a ratificação da carapuça.


(Esta carta circulou hoje pela manhã por listas de e-mail diversas, onde a encontramos. Os negritos foram destacados pelo
Fórum da Ocupação)

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Carta de Ruptura com a Gestão "Vez e Voz" do DCE-Livre da USP
 
   Entendendo o DCE-Livre da USP como uma entidade central para a organização do movimento estudantil (ME) não só da nossa Universidade, mas de todo o país, compomos, ao final do ano de 2007, a chapa "Vez e Voz" como concorrente à gestão da entidade. Naquele momento, avaliávamos que era fundamental retomar o DCE para a esquerda, retomando também sua histórica combatividade, através de uma chapa ampla, composta por todos os grupos e estudantes que pudessem contribuir nessa importante tarefa.

   Apesar dos nossos esforços para que então a chapa se construísse nos marcos da Frente de Lutas Contra a Reforma Universitária (FLCRU), centro da reorganização do ME combativo e antigovernista, a indisposição de alguns grupos à construção da unidade impediu que a real chapa ampla, com o autêntico potencial de organizar os estudantes da USP, articulando- os com a luta nacional e retirando-os da ofensiva governista, fosse formada. O processo de formação de chapas, absolutamente superestrutural, baseado em acordos entre forças políticas que disputavam entre si os cálculos eleitorais, foi distanciado de qualquer construção no seio do ME e de toda possibilidade de construção de um programa de gestão conseqüente e democrático. Ainda assim, pela importância da tarefa colocada, seguimos a construção da chapa "Vez e Voz", em conjunto com companheiras e companheiros dos campos Romper o Dia!, Mara Lobo, Domínio Público, Barricadas, A Hora é Essa e militantes independentes.

   Após metade da gestão transcorrida, temos uma avaliação crítica do papel que esta tem cumprido para o ME local e nacional. O distanciamento com relação às lutas e pautas estudantis, com a opção pela não construção e por vezes até desconstrução das ações puxadas por setores que não compõem a gestão; a negação em construir fóruns ampliados – como assembléias estudantis – durante boa parte da gestão; a lógica de debate e disputa interna baseada em um alto grau do autoritarismo da "política de maioria", sendo as posições minoritárias e dissonantes rechaçadas sem a menor disposição de debate e construção conjunta desde o período da formação de chapa; e os fatos ocorridos durante a construção do V Congresso da USP e principalmente durante a Jornada de Lutas aprovada em Assembléia Geral dos Estudantes da Universidade são fatos que, ao nosso ver, deixam claro o papel extremamente prejudicial e irresponsável da gestão para o ME não só local, mas também nacional.

   Alguns momentos merecem ser destacados:

>>> A recusa na construção, apoio, observação e até debate sobre o Plebiscito Nacional Sobre o REUNI, mesmo diante do fato de que uma parcela significativa dos CAs e estudantes da Universidade tocavam esse processo com sua devida centralidade – deixando clara a sobreposição dos interesses dos grupos presentes na gestão às demandas e necessidades do ME da Universidade (postura, aliás, ostensivamente criticada durante a gestão governista "Camarão que dorme a onda leva");

>>> A postura do setor majoritário do DCE, composto essencialmente pelo campo Romper o Dia!, diante da impossibilidade da realização do V Congresso da USP, dada a não liberação das trabalhadoras e dos trabalhadores da Universidade por parte da Reitoria para participação no fórum, postura esta concretizada principalmente na entrevista dada ao Jornal do Campus onde, em nome do DCE, o Sindicato dos Trabalhadores da USP foi acusado de "fazer o jogo da Reitoria" – acusação, ao nosso ver, infundada e extremamente irresponsável diante da tão buscada unidade entre as categorias da Universidade, além de autoritária;

>>>
 O desrespeito, por parte desse mesmo setor majoritário da gestão, às deliberações da Assembléia Geral dos Estudantes, ocorrida no dia 26/05/2008, que organizavam a Jornada de Lutas, marcado, principalmente, pela desconstrução dos espaços deliberados e duramente articulados pelos estudantes, chegando à absurda divulgação de um material contrário à Assembléia, concluído com o convite a uma plenária do próprio Romper o Dia!, paralela às atividades oficiais do ME;

>>>
 A não discussão e participação, por parte de toda a gestão, do espaço nacional da FLCRU (marcado na própria USP no dia 07/06/2008 por pedido de grupos da gestão durante a reunião ocorrida no Rio de Janeiro em fevereiro), ou seja, o esvaziamento de um espaço nacional central para a articulação do ME combativo, teoricamente construído pelo DCE (devido à histórica deliberação consensual em uma Assembléia Geral que reuniu milhares de estudantes durante a Ocupação da Reitoria em 2007) e defendido pela gestão combativa e de esquerda que a gestão "Vez e Voz" diz ser.

   É diante do entendimento de que, na atual conjuntura de implantação do projeto neoliberal na educação por parte dos governos estadual e federal, o momento pede o fortalecimento da combatividade, radicalização e unidade nas lutas do ME; que a conjuntura da USP não é de forma alguma separada do restante das Universidades e da sociedade; e que a construção das entidades estudantis deve se dar pela mais profunda democracia na tomada de decisões internas à gestão e com a base estudantil, e na confrontação desse entendimento com a situação absolutamente oposta acima descrita, que julgamos inviável a nossa continuação na gestão "Vez e Voz" do DCE-Livre da USP.

   Desse modo, formalizamos nossa ruptura com a gestão.

   Continuaremos nossa atuação no ME da USP, buscando acima de tudo sua combatividade e conseqüência às demandas dos milhares de estudantes que ocuparam a Reitoria e fizeram a greve no ano passado, sofrendo a conseqüência dos ataques frontais dos governos Serra e Lula à educação e em defesa da Universidade pública, gratuita e de qualidade para todas e todos. Convidamos a todas e todos estudantes da Universidade para a construção desse projeto de luta, que não encontra hoje no DCE da USP, pela política da sua atual gestão, o devido espaço para sua organização.

Débora Manzano
Estudante do curso de Fonoaudiologia do campus São Paulo, também coordenadora do Centro Acadêmico de Fonoaudiologia da USP e da Diretoria Executiva Nacional de Estudantes de Fonoaudiologia
 
Débora Saes
Estudante do curso de Terapia Ocupacional do campus São Paulo, também coordenadora do Centro Acadêmico de Terapia Ocupacional da USP e da Executiva Nacional de Estudantes de Terapia Ocupacional

Publié dans Movimento Estudantil

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