Justiça
absolve, mas PUC-SP condena estudantes
http://cabenevidespaixao.wordpress.com/2008/12/20/justica-absolve-mas-puc-sp-condena-estudantes/
- Pela revogação da atual política de bolsas que impede os primeiro-anistas de terem acesso à universidade. Queremos bolsas que atendam as reais necessidades dos estudantes e que a abertura deste novo edital se dê mediante a participação dos estudantes.
- Nenhuma demissão de professores e funcionários. Chega de demissões!
- Nenhuma punição aos estudantes ocupados. Choque então, nem pensar.
- Solidariedade às demais ocupações em todo o Brasil. A nossa luta é uma só!”
É... quando a multidão grita, dizem que sapo de fora não chia e quem está na lagoa zomba.
Então agora vejamos o que irão dizer, com sapo de dentro a denunciar aquilo que eles fingem não fazer.
Entre pulos e coachar, o DCE há muitos anos não é "uma entidade central para a organização do movimento estudantil". Na figura de sua gestão, o que fez ano após ano foi vestir
a carapuça de que só age naquilo que lhe é de interesse privado.
Abaixo, a ratificação da carapuça.
(Esta carta circulou hoje pela manhã por listas de e-mail diversas, onde a encontramos. Os negritos foram
destacados pelo
Fórum da Ocupação)
- - -
Carta de Ruptura com a Gestão "Vez e Voz" do DCE-Livre da USP
Entendendo o DCE-Livre da USP como uma entidade central para a organização do movimento estudantil (ME) não só da nossa
Universidade, mas de todo o país, compomos, ao final do ano de 2007, a chapa "Vez e Voz" como concorrente à gestão da entidade. Naquele momento, avaliávamos que era fundamental retomar o DCE para
a esquerda, retomando também sua histórica combatividade, através de uma chapa ampla, composta por todos os grupos e estudantes que pudessem contribuir nessa importante tarefa.
Apesar dos nossos esforços para que então a chapa se construísse nos marcos da Frente de Lutas Contra a Reforma Universitária (FLCRU), centro da reorganização do ME combativo e
antigovernista, a indisposição de alguns grupos à construção da unidade impediu que a real chapa ampla, com o autêntico potencial de organizar os estudantes da USP, articulando- os com a luta
nacional e retirando-os da ofensiva governista, fosse formada. O processo de formação de chapas, absolutamente superestrutural, baseado em acordos entre forças políticas que disputavam entre si
os cálculos eleitorais, foi distanciado de qualquer construção no seio do ME e de toda possibilidade de construção de um programa de gestão conseqüente e democrático. Ainda assim, pela
importância da tarefa colocada, seguimos a construção da chapa "Vez e Voz", em conjunto com companheiras e companheiros dos campos Romper o Dia!, Mara Lobo, Domínio Público, Barricadas, A Hora é
Essa e militantes independentes.
Após metade da gestão transcorrida, temos uma avaliação crítica do papel que esta tem cumprido para o ME local e nacional. O distanciamento com
relação às lutas e pautas estudantis, com a opção pela não construção e por vezes até desconstrução das ações puxadas por setores que não compõem a gestão; a
negação em construir fóruns ampliados – como assembléias estudantis – durante boa parte da gestão; a lógica de debate e disputa interna
baseada em um alto grau do autoritarismo da "política de maioria", sendo as posições minoritárias e dissonantes rechaçadas sem a menor
disposição de debate e construção conjunta desde o período da formação de chapa; e os fatos ocorridos durante a construção do V Congresso da USP e principalmente durante a Jornada de Lutas
aprovada em Assembléia Geral dos Estudantes da Universidade são fatos que, ao nosso ver, deixam claro o papel extremamente prejudicial e irresponsável da gestão para o ME não só local, mas também
nacional.
Alguns momentos merecem ser destacados:
>>> A recusa na construção, apoio, observação e até debate sobre o Plebiscito Nacional Sobre o REUNI, mesmo
diante do fato de que uma parcela significativa dos CAs e estudantes da Universidade tocavam esse processo com sua devida centralidade – deixando clara a sobreposição dos interesses dos grupos
presentes na gestão às demandas e necessidades do ME da Universidade (postura, aliás, ostensivamente criticada durante a gestão governista "Camarão que dorme a onda leva");
>>> A postura do setor majoritário do DCE, composto essencialmente pelo campo Romper o Dia!, diante da
impossibilidade da realização do V Congresso da USP, dada a não liberação das trabalhadoras e dos trabalhadores da Universidade por parte da Reitoria para participação no fórum, postura esta
concretizada principalmente na entrevista dada ao Jornal do Campus onde, em nome do DCE, o Sindicato dos Trabalhadores da USP foi acusado de "fazer o jogo da Reitoria" – acusação, ao nosso ver,
infundada e extremamente irresponsável diante da tão buscada unidade entre as categorias da Universidade, além de autoritária;
>>> O desrespeito, por parte desse mesmo setor majoritário da gestão, às deliberações da Assembléia Geral dos Estudantes, ocorrida
no dia 26/05/2008, que organizavam a Jornada de Lutas, marcado, principalmente, pela desconstrução dos espaços deliberados e duramente articulados pelos estudantes, chegando à absurda divulgação
de um material contrário à Assembléia, concluído com o convite a uma plenária do próprio Romper o Dia!, paralela às atividades oficiais do ME;
>>> A não discussão e participação, por parte de toda a gestão, do espaço nacional da FLCRU (marcado na própria USP no dia 07/06/2008 por pedido de
grupos da gestão durante a reunião ocorrida no Rio de Janeiro em fevereiro), ou seja, o esvaziamento de um espaço nacional central para a articulação do ME combativo, teoricamente construído pelo
DCE (devido à histórica deliberação consensual em uma Assembléia Geral que reuniu milhares de estudantes durante a Ocupação da Reitoria em 2007) e defendido pela gestão combativa e de esquerda
que a gestão "Vez e Voz" diz ser.
É diante do entendimento de que, na atual conjuntura de implantação do projeto neoliberal na educação por parte dos governos estadual e federal, o momento pede o fortalecimento da
combatividade, radicalização e unidade nas lutas do ME; que a conjuntura da USP não é de forma alguma separada do restante das Universidades e da sociedade; e que a construção das entidades
estudantis deve se dar pela mais profunda democracia na tomada de decisões internas à gestão e com a base estudantil, e na confrontação desse entendimento com a situação absolutamente oposta
acima descrita, que julgamos inviável a nossa continuação na gestão "Vez e Voz" do DCE-Livre da USP.
Desse modo, formalizamos nossa ruptura com a gestão.
Continuaremos nossa atuação no ME da USP, buscando acima de tudo sua combatividade e conseqüência às demandas dos milhares de estudantes que ocuparam a Reitoria e fizeram a greve no
ano passado, sofrendo a conseqüência dos ataques frontais dos governos Serra e Lula à educação e em defesa da Universidade pública, gratuita e de qualidade para todas e todos. Convidamos a todas
e todos estudantes da Universidade para a construção desse projeto de luta, que não encontra hoje no DCE da USP, pela política da sua atual gestão, o devido espaço para sua organização.
Débora Manzano
Estudante do curso de Fonoaudiologia do campus São Paulo, também coordenadora do Centro Acadêmico de Fonoaudiologia da USP e da Diretoria Executiva Nacional de Estudantes de Fonoaudiologia
Débora Saes
Estudante do curso de Terapia Ocupacional do campus São Paulo, também coordenadora do Centro Acadêmico de Terapia Ocupacional da USP e da Executiva Nacional de Estudantes de Terapia
Ocupacional
...pela ordem:
Claudio Gomide
Odair Bermelho
João Grandino Rodas
Maura Véras
Naomar de Almeida Filho
Ulisses Fagundes Neto
Estudantes são espancados em ocupação contra corrupção na universidade.
Na noite de sexta-feira, 13 de junho, os estudantes ocuparam a reitoria acadêmica da Universidade Federal de São Paulo em defesa de uma educação pública, gratuita e de qualidade. Protestaram
contra os casos de corrupção envolvendo a reitoria e as fundações de apoio que desviaram em torno de R$170 milhões desde 2005 (empresas fantasmas, licitações superfaturadas envolvendo familiares
do vice-reitor Tufik, desvio de dinheiro público federal da SPDM para aluguéis de casa, diárias de viagens, entre outros que o ministério público divulgou).
Em menos de 15 minutos a polícia militar de São Paulo invadiu o prédio (federal) a mando da reitoria e os
estudantes foram brutalmente agredidos e retirados do prédio. A agressão não foi apenas física, além de cacetetes e spray de pimenta, os estudantes eram ofendidos, ameaçados e alguns algemados.
Uma policial que estava com arma de fogo em punho ameaçava-os constantemente. Alguns estudantes que estavam do lado de fora filmando as agressões também foram agredidos e tiveram suas câmeras e
celulares apreendidos pela polícia militar.
Como se não bastasse essa tortura, os estudantes foram levados em camburões com spray de pimenta para a delegacia. Os estudantes foram liberados por volta das 06h da manhã após terem sido
fichados. Alguns celulares não foram devolvidos, os que foram tiveram todas as imagens das agressões apagadas para não servirem como provas contra a polícia.
A luta do movimento estudantil sempre foi, e ainda é duramente reprimida pela polícia que é um braço forte do Estado, e que cada vez mais privatiza e sucateia a educação implantando reformas como
o Reuni para cumprir metas impostas pelo Banco Mundial e pelo FMI.
Os estudantes da Unifesp seguem firmes na luta, defendendo a educação pública e de qualidade, contra o mau uso do dinheiro público e descaso para com a sociedade. Não podemos mais aceitar a
repressão aos movimentos sociais. Não se pode permitir que a repressão, a intolerância e a violência façam parte do cotidiano do estudante e do trabalhador.
Nós estudantes devemos lutar por uma educação popular e de qualidade
Vamos todos nos unir e pedir a renúncia imediata do reitor
Fora reitor Ulysses Fagundes Neto e todo seu gabinete da Unifesp
Eleições diretas para reitor
Fora Reuni
Pela não punição dos estudantes
Os estudantes querem participação política seja porque sabem ser um direito ou pela indignação com os gestores universitários e do ensino de
forma geral. Estes vem fazendo da coisa pública o que fazem na privada. Estas são as razões fundamentais para a recente tentativa do ME da Unifesp haver ocupado a Reitoria na noite de
sexta-feira última. Os desfecho desta ação se deu no mesmo dia com o reitor da Unifesp, Ulisses Fagundes Neto – envolvido em denúncias de gastos irregulares com cartões corporativos e não
prestação das contas da Universidade –, chamando da Polícia Militar para desocupar o prédio.
A ação da PM paulista deu-se sob o marco da violência e da mentira. Sem nenhuma mediação invadiram o prédio da reitoria, apesar dos estudantes não haverem oferecido resistência, espacaram-nos
arbitrariamente, além do uso desnecessário de gás de pimenta. Evidentemente isso provocou pânico e consequente danos materiais no interior da reitoria. Estudantes que gravavam e fotografavam a
agressão, dentro e fora do prédio e participando ou não da ocupação, tiveram celulares e máquinas tamados, devolvidos depois com todas as imagens apagadas. Posteriormente foram levados a um
distrito policial, onde foram fichados e permaneceram toda a noite, sendo liberados no dia seguinte.
Tanto quanto a ação da polícia de São Paulo é sempre violenta quando estão envolvidos movimentos sociais, igualmente a grande (?) imprensa é hipócrita e tendenciosa. Sob o manto de uma
falsa imparcialidade, descontextualizam fatos, omitem informações, quando não mentem pura e simplismente, tal é o baixissímo nível que chegou os meios de comunicação. Assim não é de surpreender
que a notícia da tentativa de ocupação da Reitoria da Unifesp tenha sido tratada como um caso de polícia. Em quase nenhum veículo foi apresentada a versão dos estudantes, sequer tentaram apurar a
denúncia de que os danos materiais foram muito em consequência do tumulto com a entrada violenta da PM, e que as imagens oferecidas ao público não condizem com o estado em que reitoria estava
quando os estudantes de lá saíram. Basicamente limitaram-se a ouvir a versão da polícia e dos gestores da Unifesp, nenhuma linha se leu sobre a apreensão de celulares e equipamentos digitais
usados para registrar a ação da polícia, sobre a violência e espancamento.
Enfim, nada de novo; nada vai mudar de imediato neste ambiente de falsidades e barbárie, mas seguimos denunciando, não abdicamos de criticar e lutar, de ter esperança num
mundo que não esteja apenas sob o signo da reprodução da capital.
Ainda sobre Maio de 68, reproduzimos interessante artigo publicado no jornal dos estudantes da FMUSP, O Bisturi, escrito por Douglas Anfra(Filosofia/USP):
Quando os estudantes entram na cena política
Puedo decir que nos han traicionado? No. Que todos fueron buenos? Tampoco. Pero alli está una buena voluntad, sin duda y sobretodo, el ser así.
César Vallejo, Trilce, canto LVII
Maio de 68 traz muitas questões. O que fez com que os estudantes saíssem repentinamente das Universidades e em todo o mundo se mobilizassem como sujeitos políticos no sentido de uma luta orientada por bandeiras diferentes das pautas liberais e de esquerda de até então e, mais ainda, numa luta anticapitalista?
Esta pergunta é difícil e há um mar de livros sobre o tema surgidos de questões que apareceram dos dois lados das barricadas.
O Estudante é uma força subversiva?
Se pensarmos nas atividades do estudante que não diretamente o estudo, vemos como o seu papel político muda ao longo da história. Na Universidade de Paris, em 1432, já se notava a tentativa, até hoje infrutífera, de proibição de uma atividade extra-curricular bem famosa, o trote. Pensar nesta atividade é interessante, porque apesar de ser desde sua origem contra ou paralela à instituição, ela se mantém dentro das balizas da ordem institucional (e mesmo as pressupõe), afirmando-a com maior intensidade.
Chamado Bejaunus, o calouro era comparado a um animal (Bejaunus quer dizer bico amarelo) e sua entrada ao reino dos homens era intermediada pela purgatio (purgação), uma série de humilhações equivalentes ao trote de hoje. A violência mantinha a hierarquia de uma sociedade dividida em estamentos.
Mas nenhum trote estudantil foi tão radical quanto o da Alemanha, onde mortes eram freqüentes e as odes aos nacionalismos e ao militarismo inspiraram os jovens alemães. Cederam quadros que se alistaram no grande matadouro que foi a 1ª Guerra Mundial. Pelotões inteiros formados por estudantes foram massacrados durante à guerra, mas isto não os impediu de posteriormente aderirem às Freikorps, futuras Seções de Assalto (as S.A.).
Porém, sabe-se que em geral as tendências científicas e ideológicas da universidade são incorporadas pelo estudantado, pois estes formam sua consciência a partir das referências que a universidade lhes fornece, representações de mundo partilhadas, mas históricas.
Assim, para as esquerdas, compostas majoritariamente por intelectuais e trabalhadores combatidos pelo Estado, se esperava qualquer coisa dos estudantes enquanto grupo social, menos uma mobilização anti-capitalista de matiz libertária.
A Crise das Sociedades Avançadas, Abastadas e Ordenadas
Para ensaiar uma resposta à questão da militância estudantil em 68, pensemos nos dois contextos que intérpretes do episódio localizam de um lado nos EUA e Europa e de outro no Brasil.
Ninguém no período achava que aconteceria o que aconteceu. A Europa se desenvolvia no Estado de Bem Estar Social, onde o Estado garantia amplos direitos, em muito impulsionadas pelo medo da vitória do comunismo nestes mesmos países em que os militantes socialistas lutaram bravamente contra o nazismo.
No entanto, os trabalhadores estavam aburguesados, as pessoas consumiam bem, o que poderia haver de errado, então?
Havia guerra fria. Dum lado intervenção americana de outro a soviética. Mas nada disso parecia entusiasmar os estudantes, todos dando sinal de um mundo bem administrado. Um sociólogo famoso, pouco antes das grandes manifestações, realizou estudo sobre como funcionava a reprodução das classes sociais e suas marcas de distinção na universidade e nada em seu estudo parecia adiantar algo que fugisse da afirmação da determinação econômica e social. No entanto, repentinamente, as universidades explodiram e os trabalhadores a seguiram.
Havia pressões até então ignoradas. Não estava em questão, para os estudantes destes países identificados a uma ampla esquerda sem partidos (negando o combate à alienação por meio de formas alienadas), a escassez ou a necessidade material, mas a qualidade da vida cotidiana e a necessidade da libertação da experiência na tentativa de controlar o seu próprio destino, o que se notava pelos grafites, hoje famosos.
O filósofo Herbert Marcuse cunhou uma expressão para isso: “mais-repressão”, isto é, algo como uma relação entre a mais-valia, o trabalho que o trabalhador não recebe e que fica com quem o contrata, e a repressão que recebemos além da necessária para a realização das atividades orientadas pela civilização, servindo para nosso controle e administrando a insatisfação por meio da alienação. Isto foi dito num dos livros mais divulgados e menos lidos da história, Eros e Civilização, onde juntava num mesmo raciocínio crítica da economia-política e psique.
Este desajuste não era só do capitalismo, mas de toda a civilização, e só poderia ser mudado com uma transformação radical da sociedade que não seria se se esgotasse na planificação da produção, mas que fosse uma melhora da vida humana.
Outros autores que serviram de baliza para o período foram Guy Debord e Raoul Vaneigem. Estes deram forma radicalmente anti-capitalista ao anseios libertadores do período, resultando na crítica ao que chamam de sociedade do espetáculo, crítica da separação da consciência da própria sociedade entre sua produção e circulação.
O que parecia mera crítica aos meios de comunicação de massa, mostrou-se uma teoria da revolução.
Pautas aparentemente pequenas, ganhavam repercussão e mobilização, muito além do que aparecia como demanda imediata, incendiando uma grande mobilização em torno da reapropriação da política, e a partir de onde novas vozes apareciam com força, assim também veio à tona o feminismo, o movimento negro americano e até mesmo as questões ligadas à saúde.
Toda aquela sociedade, anterior e também posterior ao Maio de 68, que sustentava uma aparência de plenitude, gerou a alienação política e da vida cotidiana e escondia suas vítimas do terceiro mundo governado por regimes autoritários, como aqueles que assolavam a América Latina.
A esquerda estudantil brasileira e o projeto nacional
No Brasil o contexto era diferente. Os intelectuais progressistas, conforme os postulados da teoria da dependência, acreditavam que só o socialismo desenvolveria o país, isto é, que só a democracia realizaria economicamente aquilo que o capitalismo produziu nas sociedades desenvolvidas.
Neste caminho, os estudantes, distanciados de sua origem social, se organizavam em torno de projetos progressistas sob a influência da AP ou do PCB, este realizava programas culturais significativos e acreditava poder exercer uma influência política em torno de um projeto de desenvolvimento nacional democrático e popular (postergando o socialismo para uma etapa posterior) que nunca se cumpriu.
Aqui, longe da idéia de revolução, acreditava-se que uma transição democrática em etapas com o apoio de uma burguesia progressista e anti-imperialista (que se mostrou inexistente) era necessária. Para tanto, os estudantes se engajavam em campanhas cívicas como a do Petróleo e as reformas universitárias que tentaram garantir à duras penas a representação paritária (conquistada em Córdoba, na Argentina, em 1911). No entanto, o AI-5 repentinamente interrompeu esta transição, que não prosseguiu nem com a abertura.
Muitos estudantes se engajaram contra a ditadura buscando o retorno da democracia num difícil contexto, sofrendo também a Universidade, pois muitos destes estudantes que viriam a sofrer horrores inimagináveis eram os melhores alunos de suas áreas.
Ao mesmo tempo, prosseguiu-se uma tentativa de modernização dos costumes e relações familiares, onde muitos acharam um paralelo com o que acontecia na Europa, mas sem vivermos num capitalismo desenvolvido.
Como resposta o regime militar passou progressivamente a criar espetáculos a partir de manifestações populares, como o Futebol, o carnaval e as novelas como forma de manter a população distraída das questões políticas e provar que o desenvolvimento econômico era possível sob um regime autoritário, isto é, sem democratizar-se a sociedade. Este foi mais um duro golpe para as forças progressistas que desejavam que a modernização do Estado implicasse em democracia.
Com isso fez-se com que as gerações que nos precedem vivessem um período de desenvolvimento e consumo sem participação política, e é por isso que, após a abertura, os estudantes herdaram tantas questões irresolutas e a alienação da maioria em relação às questões políticas da Universidade.
A amarga herança de 68
Pensando nas questões suscitadas pelo Maio de 68 europeu e americano, é difícil imaginar algo mais heterogêneo. Se por um lado as mobilizações contestatórias não foram vitoriosas, suas pautas foram assumidas pela esquerda e pela direita. A esquerda partidária assume as pautas das minorias, mesmo que discorde do contexto de onde surgiram suas manifestações, seja por terem sido espontâneas e, por isso, indisciplinadas e não controladas, seja porque interpretem o período como uma possibilidade revolucionária com “crise de direção” (isto é, onde não mandavam) e que por isso não atingiu o sucesso de uma transformação conforme suas deliberações congressuais.
Outros críticos assumem que o capitalismo assumiu todas as reivindicações do período, talvez, com exceção da legalização das drogas. A publicidade naturaliza a sexualidade e se utiliza do distanciamento irônico e conciso, parecendo que não estamos mais numa sociedade que reprime, mas uma que obriga a gozar.
Não escrevo para comemorar ou me entristecer por 68. Quero lembrar que nossas questões envolvem sempre a reflexão crítica renovada. Daquele período em que pediam para que a imaginação subisse ao poder, de tão distante de nosso contexto, podemos somente imaginá-lo. Mas uma lição poderia ainda ter certa relevância no Brasil, a de que os estudantes não devem lutar para libertar as forças produtivas, o que apenas reforça a própria técnica e a gestão ao substituírem a política pelo controle, mas que devem lutar pela emancipação política do Homem, reaprendendo o que é transformar a vida em algo digno nos dias de hoje.
“Exigir que a produção científica do ensino superior seja democratizada, não é pesquisar os meios de obter uma eficácia maior ou uma organização melhor da produtividade. O impulso das forças produtivas, que esta exigência de democratização acredita provocar, é uma contradição com a noção, cada vez menos aceita, de aumento da produtividade, esta moral da produção destinada a estabelecer o sistema. Por conseqüência, este impulso sustentado das forças produtivas não reside na crença das capacidades de produção rápida de sentido, mas na emancipação da força produtiva viva Homem em vista de lhe permitir determinar e se apropriar do processo de produção global de sua existência.”[1]
Douglas Anfra, estudante de filosofia - USP
[1] Extrato de uma resolução sobre o ensino superior, adotada pela 22ª Conferência dos delegados do SDS [Sozialistischer Deutscher Studentenbund], citado em “La revolte des étudiants allemands”, p. 205.
ASSEMBLÉIA DOS ESTUDANTES
CAMPUS BUTANTÃ +
PINHEIROS +
LARGO SÃO FRANCISCO
P(A)UTA: REFORMA DO ESTATUTO DA USP
INFORMES APROFUNDADOS: FIM DA BOLSA TRABALHO
LICENCIATURA À DISTÂNCIA
DATA: 12 DE JUNHO - QUINTA-FEIRA
HORÁRIO: 18 HORAS
LOCAL: BIÊNIO DA POLI
E preparem-se!
A divulgação oficial diz que os informes serão aprofundados!
Levem picareta e capacete com lanterna.
Se não aprofundarem o assunto, picaretem os picaretas!
E para piorar!
A bolsa trabalho acabou e o DCE chama informes?!
"informemos aos estudantes que eles dançaram e que nós coçaremos nossos umbigos solares"
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do Fórum ou acesse: http://forumdaocupacao.over-blog.com/pages/AGENDA-534272.html
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