Nota pública da gestão Reflorestando (CEUPES)
Devido aos últimos acontecimentos envolvendo espaços estudantis, o Ceupes soltou uma nota pública defendo-se. Reproduzimos na íntegra, abaixo:
Nota Pública da Gestão Reflorestando
O debate sobre espaços talvez seja um dos mais antigos na história do Movimento Estudantil e tem, desde 2006, reaparecido nas Ciências Sociais devido aos conflitos com a diretoria por conta das intervenções nos espaços estudantis, notoriamente no “porão”, como em janeiro de 2008, quando o diretor da FFLCH, prof. Gabriel Cohn, de maneira autoritária, mandou construir uma laje sobre o espaço. Com isso, novamente o debate se intensificou entre setores dos estudantes.
Nós, da gestão Reflorestando, no entanto, acreditamos que tal debate não deve ser momentâneo e vir sempre como resposta às medidas autoritárias da diretoria. Afirmamos, entretanto, uma vez mais, como em nota pública no mês de janeiro, nossa oposição a tais medidas ou a quaisquer posturas privatistas. O debate sobre a importância dos espaços públicos, numa universidade pública, deve ser feito cotidianamente pela comunidade universitária como um todo. É necessário fazê-lo não como uma abstração na realidade, mas enfatizando a importância da construção coletiva e de espaços de criação cultural, política e de desenvolvimento intelectual. Nesses espaços, nos organizaremos com autonomia e realizaremos as reuniões do CA, assembléias dos estudantes, grupos de discussão e trabalho, oficinas, mesas de debates, reuniões ou confraternizações.
Dessa forma, defendemos que os estudantes devem ter seus espaços e, mais do que isso, defendemos uma utilização democrática e coletiva destes para fortalecer o movimento que defende a educação pública e de qualidade para todas e todos. Somente assim, os estudantes reconhecerão os espaços estudantis e os motivos que levam à luta por eles.
É certo que há, no Movimento Estudantil, posições e propostas para os espaços muito divergentes das nossas e grupos políticos que as defendem, como aquele que, no dia 06 de março, no espaço estudantil (piso verde), organizou uma festa. O CEUPES não participou de sua organização e discorda da proposta política para espaços ali apresentada. Por isso, redigimos e assinamos uma nota, na qual afirmávamos que a festa em questão não havia sido organizada, divulgada ou sequer construída pelo Centro Acadêmico de Ciências Sociais. Nós não tomamos decisões motivados pelo medo de quem quer que seja ou de acordo com os desmandos da chamada burocracia acadêmica.
Chamados pelos chefes de departamento para uma reunião, apresentamos nossa posição já muitas vezes explicitada: Somos contra qualquer atitude autoritária e privatista mobilizada por algum grupo de pessoas com relação à tomada dos espaços estudantis, pois entendemos que tal modo de lidar com essa questão quebra as possibilidades de diálogo, uma vez que não dá a devida importância ao debate democrático com todos os estudantes. Da mesma maneira como discordamos da diretoria quando ataca o Movimento Estudantil retirando seus espaços sem abrir canal de diálogo prévio, discordamos de grupos de estudantes que utilizam um espaço - que defendemos ser público e com o fim de fortalecer a luta em defesa da educação - para fins de auto-construção política e demarcação de posição.
A questão de espaços na FFLCH vive, agora, mais um momento importante. Após a intervenção no prédio do meio, começou uma reforma no prédio das Letras, que põe em risco os espaços estudantis. Na última reunião entre os Centros Acadêmicos da FFLCH, o CAELL (Letras) propôs a realização de uma Audiência Pública sobre as reformas na FFLCH, construída por todos os CAs, no dia 26 de março. Como outros Centros Acadêmicos já tinham um calendário pronto para a semana, propôs-se que tal audiência se realizasse no dia 3 de abril. Decidiu-se, por fim, realizar a atividade no dia 26. Apesar de achar que um debate sobre espaços ainda não foi feito de forma massiva e com qualidade e, mesmo sabendo que teríamos a possibilidade de fazê-lo nas atividades das próximas semanas caso a Audiência fosse realizada no dia 3, compreendemos a urgência da questão e, por isso, chamamos todas e todos para debaterem conosco este e tantos outros assuntos com que, diariamente, nos deparamos. Acreditamos que a reforma nos espaços da faculdade, demanda estudantil desde há muito, deve ser levada adiante democraticamente. Mais do que decidirmos qual é a opinião dos estudantes em relação aos espaços, nós, estudantes, devemos discutir a fundo sua importância política e lutar por eles. Por isso, convidamos todos para a AUDIÊNCIA PÚBLICA com o diretor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, que acontecerá no dia 26 de março, quarta-feira, no auditório da História/Geografia.
Gestão Reflorestando – CEUPES 2008